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📝📢 Sexta-feira, 28 de Outubro de 2022 - Intern. dia 22

📢 Ontem foi o dia de tratar do cabelo. E sempre disse "tratar" porque envolvia mais do que um passo, não era apenas cortar ou rapar, claro! Ou eu não me chamo Joana Amorim Barbosa 🤩
   Chamei todo um comité, activa ou passivamente, que veio assistir e participar num momento que desde que decidi e imaginei como queria que fosse, tive toda a gente mais uma vez do meu lado a garantir que assim seria. Queria que fosse especial. Se houvesse choro, havia choro, se fosse para rir, aqui estávamos nós também. E tudo decorreu de uma forma muito natural, harmoniosa e com o ADN todo de quem estava aqui ❤️ Começámos por fazer umas tranças e descobrimos que a minha sobrinha está cheia de sorte com a mãe que tem 😅 a acompanhar este processo ainda houve música alegre! A que eu digo que é a música da minha Xiloca (Bam bam - Ed Sheeran e Camila Cabello - se ouvirem bem eles dizem "así es la vida Xi") e depois disso uma batalha musical entre a Mana e o meu cunhado que claramente perdeu (sorry cunhadinho, mas as da Mana eram as músicas para o momento 😂). Tranças feitas, ainda conseguiram rir-se às minhas custas 😂 e depois disso veio o corte, corte esse que me disseram que me ficava muito bem. Sem ver, toquei e claro que a sensação foi estranha e aí surgiram umas lagrimazinhas. O passo a seguir era rapar e eis que obviamente eles não fizeram por menos 😂 houve cortes Picky Blinders, Ronaldo e tudo o que se lembravam na altura! 😂 Tiraram fotos para um dia vermos 😛 obviamente que a tarde não terminou aqui e posso dizer-vos que passei mais tempo agarrada à barriga de tanto me rir do que a fazer qualquer outra coisa 😂😂 aconteceu de tudo mas é algo que farei questão de partilhar pessoalmente caso pretendam saber. Achei que hoje os abdominais iam estar a doer mas não... o que significa que vamos ter de repetir e fazer melhor 😅 resta saber quem vai querer rapar agora 😂
    O meu pedido foi satisfeito e ultrapassou qualquer expectativa e por isso a equipa não podia ter sido melhor para este momento ❤️ grata por ter uma memória tão alegre e cómica do momento 🙏❤️
    Estas tranças maravilhosas do meu cabelo lindooooo vão ser doadas à Mama Help para ajudar outras mulheres que precisam deste conforto. Quando damos um sentido ao que fazemos e o mesmo tem por base o amor, tudo se torna mais fácil ❤️


📝 Foi na noite de 26 de Outubro, ao soltar o cabelo que vi que estava na hora. Pedi à minha irmã e cunhado que viessem no dia seguinte pois era com eles que queria partilhar o momento. Mais um favor que o IPO me fez: deixar entrar duas visitas nesse dia. Por mais mentalizada que estivesse, essa noite foi de choro. Se me perguntassem o que eu mais gostava no meu corpo, eu respondia "o meu cabelo". Não querendo gabar-me, mas era mesmo bonito e não me dava grande trabalho. Cortá-lo foi algo que poucas pessoas puderam fazer. Sou daquelas pessoas que se mantém fiel a uma cabeleireira por longos anos e mesmo assim vai a medo e faz um drama quando olha para o chão e vê quanto cortou. Pensei em várias formas de tratar do cabelo: ir cortando cada vez mais curto para o choque ser menor (se é que isso seria possível), aguentar o máximo de tempo mesmo estando a cair muito e depois rapar ou, ao mínimo sinal de aumento da queda, rapar. A última foi a que me fez mais sentido por vários motivos: queria que dentro dos possíveis fosse uma decisão minha e não uma consequência, não queria passar pelo choque de ver peladas e queria ter o maior volume de cabelo possível pois o meu objectivo era doar. Doei à Mama Help e, ainda hoje, saber que ajudei alguém é o que me ajuda a mim a encarar esta perda de forma positiva.
    O momento em si foi maioritariamente divertido, como descrevo acima e isso só prova o quão sortuda sou por ter pessoas com tão boa energia na minha vida, pois sem elas não seria tão fácil ❤️
    Só passados dois dias fui capaz de me ver ao espelho e isto porque queria saber o que estava a mostrar quando tirasse o lenço/gorro diante de outras pessoas. Não vou dizer que amo e que devia ter pensado em fazer algo do género mais cedo. Mas aprendi a gostar porque viver em negação também não é solução.



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