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📝 Sábado, 7 de Outubro de 2023 - 1 ano (parte 2)

 
   Isto podia bem ser uma lista do que não fazer, em prol da saúde. Levo comigo algumas aprendizagens, que também já fui partilhando. Talvez um dia me dedique a fazer um resumo de todas. Mas hoje quero falar da que gostava de ter já sabida neste ano pré-diagnóstico: ouvir o corpo e respeitá-lo. O nosso corpo fala connosco, dá-nos sinais, e nós, se nos amamos, devemos estar atentos e cuidar dele. Todos os dias o nosso corpo permite-nos fazer um sem número de coisas. Tiremos algum tempo para lhe agradecer, sem o dar por garantido. E quando ele nos der sinais, estejamos atentos. Ele tem sempre razão!

Outubro de 2021 a Setembro de 2022 - Pós-Caminho Português de Santiago

    De mente e coração abertos, e com todo o entusiasmo à flor da pele, decidi deixar os receios e necessidade de sensação de controlo para trás e vivi muito. Finalmente tive a coragem de sair da minha zona de conforto, mantendo poucas áreas da minha vida intactas: apenas a vida profissional e as minhas pessoas. Tudo o resto mereceu ser pintado de fresco! Casa (não literalmente), mais viagens e adopção da minha quatro patas Xi 🐶 E, naturalmente, com estas mudanças exigi muito do meu corpo a nível físico, emocional e psicológico. No meio da adrenalina e ambição desmedida de concretizar os meus objectivos, à minha maneira, andei uns meses a viver num nível de exaustão pouco saudável. "Só falta mais isto, depois descansas.", repetia eu para mim numa base diária, aplicando fora do ginásio a filosofia que seguia lá dentro: "mais uma repetição, e outra, e outra, até à falha.".
    Seguiram-se as férias de Verão - um incrível Congresso de Salsa - em que, obviamente, eu não queria perder os melhores workshops nem as festas. Foi uma semana em que o desgaste físico reinou e o banco de horas devidas à cama subiu a pique. Mesmo constipada, não podia perder um minuto de dança 💃
   De volta a casa, supostamente iniciaria um período de um mês e meio em que ia estabilizar, mas duas semanas depois acolhi em minha casa a Pandora 🐶 que recuperava da sua esterilização e acabou por se tornar parte da família 🧡 uma nova adaptação, portanto!
    Setembro chegou e com ele uma série de sintomas: constipação, febre, herpes, dores de garganta e cansaço. Não foi tudo em simultâneo, e principalmente o cansaço foi aumentando de forma muito gradual. Comecei por deixar de conseguir subir os 6 andares do escritório sem ter de parar a meio para respirar. Foi mais um mês atribulado, em que na primeira quinzena andei a fazer piscinas (de novo, não literalmente), e acabei por não dar prioridade aos treinos. Nos poucos que fiz, vi-me obrigada a baixar cargas porque o fôlego não era o mesmo. Ciente de que algo não estava bem, associei os sintomas a Covid que pudesse ter tido sem saber ou à fadiga de um ano duro ou ainda a uma baixa forma física por falta de exercício. Julgava eu que apenas tinha de esperar pelas duas semanas de férias que ia ter no início de Outubro e tudo se recompunha. Tinha uma série de planos possíveis mas preferencialmente iria fazer o Caminho Português da Costa ou o de Santiago a Finisterra. Tal implicaria deixar a Xi e a Pandora com a minha irmã, mas na última semana de Setembro a Xi entrou no cio e, não querendo dar essa responsabilidade à minha irmã, acabei por cancelar as férias. Nessa semana, as dores de cabeça tornaram-se mais intensas. Por mais que dormisse ou tomasse café, durante o dia tinha muito sono. Qualquer esforço físico como subir apenas um lanço de escadas acelerava os meus batimentos cardíacos de uma forma anormal e passei a ouvi-los na cabeça de forma constante. Os músculos também davam sinais de cansaço extremo, como se estivesse a fazer um treino de hipertrofia, com coisas tão simples como caminhar. Passear as meninas, as duas ao mesmo tempo, começou a ser muito complicado, pois, como costumo dizer, eram 40 kgs a puxar quando passávamos por outros cães. Ainda assim, grande parte das vezes, ia com as duas.



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